Seminário concluiu que preço da energia vai aumentar com a privatização da Eletrobras/Eletronorte
27 de março de 2018
O seminário realizado na última sexta-feira (23/3) pelo Sindicato dos Urbanitários de Mato Grosso (STIU-MT), para debater os impactos da privatização da Eletrobras/Eletronorte, lotou o auditório do Hotel Holyday Inn, contando com as presenças de trabalhadores eletricitários, dirigentes sindicais. Também marcaram presenças representantes de setores expressivos da sociedade mato-grossense, casos da Famato, representando o agronegócio, Sindenergia-MT e Procon Estadual.
Para subsidiar o debate o STIU/MT realizou parceria com o Instituto Ilumina e DIEESE, que apresentaram estudos contendo informações técnicas e estratégicas para um entendimento profundo a respeito do que pode ocorrer com a privatização da Eletrobras/Eletronorte, demonstrando que o Estado Brasileiro abrir mão do controle do setor elétrico, traria consequências altamente negativas para o consumidor, indústria, comércio e agricultura, além de um ato extremamente lesivo aos interesses do País.
Gustavo Teixeira, técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), afirmou que a privatização implica na perda do controle do setor elétrico e sobre o manancial de águas dos rios que movimentam as usinas hidrelétricas, que passarão para o poderio de grandes grupos econômicos. Isso, além do aumento ainda maior da tarifa e deterioração da qualidade dos serviços prestados.
Agenor de Oliveira, representante do Instituto Ilumina, que também proferiu palestra no seminário, alertou que outros países do mundo estão barrando a entrega do setor elétrico para o capital privado, tendo em vistas a experiência negativa da privatização. Na Alemanha o setor está sendo retomado pelo governo, e que em países como EUA, Canadá e Austrália tem sido barrada a entrada de capital estrangeiro para a compra de empresas do setor elétrico, por questões de segurança nacional. Nos EUA, o setor público federal possui a maior parte da capacidade de energia hidrelétrica, principalmente o controle das grandes hidrelétricas, e o Corpo de Engenheiros do Exército é quem opera grande parte delas.
O palestrante Agenor Oliveira denunciou que “as bandeiras tarifárias são uma grande farsa. Que o que predomina não é a carência de água, mas a incompetência nos esvaziamentos dos reservatórios, feitos sem critérios técnicos consistentes”. Agenor ressaltou que o Brasil tem capacidade para armazenar cinco meses de carga de energia, algo que não se consegue em nenhum m país do mundo.
“A participação ampla no seminário demonstrou que os impactos negativos, que podem ocorrer, caso o projeto prevendo a privatização da Eletrobras/Eletronorte seja aprovado pelo Congresso Nacional, preocupa amplos setores da sociedade”, analisou Dillon Caporossi, presidente do STIU/MT. “O debate sobre a privatização não deve ser pautado por questões ideológicas, pois estão em jogo necessidades essenciais para a sobrevivência dos cidadãos brasileiros e mato-grossenses, que pagam uma conta de luz muito elevada. Está em questão o que pode acontecer com preço de um insumo básico, que pesa sobremaneira no custo final das empresas em geral, que geram empregos e impostos, fazendo movimentar as engrenagens da economia do estado e País, e que já operam enfrentando muitas dificuldades”, afirmou Dillon Caporossi. “A privatização da Eletrobras/Eletronorte compromete o desenvolvimento de Mato Grosso e País, além do futuro dos nossos filhos e netos e compromete a manutenção da soberania do Brasil enquanto Nação”, concluiu Dillon.
Participaram da atividade a Federação Interestadual dos Trabalhadores Urbanitários nos Estados de Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Tocantins e no Distrito Federal – FURCEN, a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso (Famato), o Sindicato dos Urbanitários no DF (STIU-DF), a Superintendência de Defesa do Consumidor (Procon-MT), a Internacional de Serviços Públicos (ISP), o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), Sindicato da Construção, Geração, Transmissão e Distribuição de Energia Elétrica e Gás no Estado de Mato Grosso (Sindenergia).


Para o Seminário que será realizado no próximo dia 23 de março, além da preocupação em ouvir os mais diversos segmentos, o Sindicato dos Trabalhadores Urbanitários de Mato Grosso (STIU-MT), realizou um contato com a Internacional de Serviços Públicos (ISP), organismo internacional que atua na defesa dos trabalhadores público. No contato o STIU/MT conseguiu viabilizar, junto à regional do ISP para as américas, conexão com os sindicatos do setor elétrico da Inglaterra, Alemanha, França, Itália, Canadá, Noruega, Índia, Rússia e Turquia, que acompanharão em tempo real seminário que será realizado no próximo dia 23 no Hotel Holiday Inn, em Cuiabá, a partir das 19 horas. 


