Ao invés de economizar com água de má qualidade a Energisa MT deve se preocupar com a sangria em favor das empreiteiras
10 de outubro de 2015
Durante mobilização realizada na manhã de 6ª feira (9/10) no Complexo Barro Duro, os trabalhadores manifestaram revolta contra a má qualidade da água, que além de salobra é quente.
O problema afeta uma parte dos trabalhadores da área administrativa, e também leituristas e eletricistas, que realizam trabalho de campo, que estão sendo obrigados a consumir água de um poço artesiano situado no local, cuja qualidade está sendo muito questionada. Inclusive, o Representante Sindical liberado para o STIU/MT, Leandro Acássio Cardoso, tomou da água do poço artesiano, e constatou que o sabor é difícil de utilizar para o consumo dos trabalhadores.
Devido ao grau de indignação dos trabalhadores afetados a direção do STIU/MT aprofundou a discussão a respeito do problema, visto que cerca de 400 trabalhadores são obrigados a abastecer as garrafas térmicas levadas para consumo no trabalho de campo. E ficou decidida a realização de uma assembleia geral para a 4ª feira (14/10), para avaliar a possibilidade de greve caso o problema não seja sanado.
SUPOSTA AUSTERIDADE
No entendimento do presidente do STIU/MT, Dillon Caporossi, “a suposta meta da empresa de economizar recursos com o consumo de água para os eletricistas e leituristas é uma agressão aos trabalhadores que atuam em serviços externos, expostos ao calor causticante de Cuiabá”.
“A pretensa economia de recursos com a precarização da qualidade da água para o consumo dos trabalhadores, corte do cafezinho e do chá, soma um valor irrisório para uma empresa do porte da Energisa MT, que vai faturar R$ 4,5 bilhões neste ano. Ademais, por menor que seja, empresa nenhuma nega fornecer água de qualidade para seus funcionários”, afirmou Dillon.
O presidente do STIU/MT qualifica que “uma medida dessa natureza levanta outras duas hipóteses: ou falta visão administrativa, na medida em que os trabalhadores correm o risco de adquirir problemas de saúde, tendo que se afastar de suas atividades, o que traz custos muito maiores, ou a intenção é oprimir os trabalhadores por meio de ações que tentam inferiorizar os eletricistas e leituristas no âmbito da empresa, sendo que os dois segmentos também são de fundamental importância”.
Dillon explicou que “sem os leituristas para medir o consumo não tem como a empresa fazer o faturamento da energia consumida, e sem contar com os eletricistas não existe como manter o sistema elétrico funcionando”.
Dillon Caporossi afirmou ser “estranho” o pagamento de R$ 230 milhões para as empreiteiras que possuem 1.700 funcionários, sendo que a Energisa MT gastou R$ 150 milhões com os 2 mil funcionários próprios, que recebem salários maiores, têm plano de saúde, além dos demais benefícios do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT). “Se a intenção é aplicar uma política de austeridade na empresa, a primeira medida deve ser estancar os gastos astronômicos com as empreiteiras, que recebem pagamentos que sangram a Energisa. Isto sim(!) deve ser medida urgente para resguardar os interesses maiores da Energisa, ao invés da tentativa infrutífera de economizar tostões na compra de água”, concluiu Dillon Caporossi.
A mobilização no Complexo Barro Duro foi realizada visando fortalecer a mobilização dos trabalhadores eletricitários para a negociação do Termo Aditivo ao Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) 2014/2016, e também para a assembleia geral sobre a eleição da direção da Entidade.

Dillon: “Economia irrisória de recursos e uma agressão aos trabalhadores”



